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EXPERIMENTO · MEMÓRIA POR ASSOCIAÇÃO

Cores e Notas: a cor ajuda a lembrar a nota?

Você escolhe uma cor para cada uma das doze notas, ouve cada nota com a sua cor e depois responde duas vezes: com cor e sem cor. É um experimento de memória, e a associação entre cor e nota não é universal — Scriabin e Rimsky-Korsakov discordavam entre si, e quem vê cores ao ouvir também não tem uma tabela em comum com os outros.

Confira o volume. Alto-falante de celular perde os graves; com fone é melhor.

Escolha seu mapa

Primeiro, as doze

Ouça e olhe: cada nota aparece com a cor do seu mapa.

 

 

Os dois números

0/12
Com cor
0/12
Sem cor

A cor ajudou você? Os dois números são uma pista, não a resposta. Aqui a cor pode ter servido de apoio para a memória — e nas pastilhas cinzas esse apoio some.

Uma sessão não prova nada. As notas são sorteadas com repetição, então no chute a média é 1 acerto em 12 — e a fase sem cor vem sempre depois da fase com cor.

OUVIDO CLÁSSICO · NÍVEL 1 DE 44 · DÓ E SOL

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Scriabin e Rimsky-Korsakov não davam as mesmas cores às tonalidades

Os dois compositores russos associavam cores a tonalidades, e as listas deles aparecem lado a lado desde 1911, quando Leonid Sabaneiev publicou a de Scriabin junto à de Rimsky-Korsakov, registrada por Vassili Iastrebtsev em 1908. Coincidem em pouco: Ré amarelado, Mi azul, Lá♭ puxando para o violeta. Dó é vermelho para Scriabin e branco para Rimsky-Korsakov; Fá, vermelho-escuro contra verde; Lá, verde contra rosa.

Scriabin achava que suas correspondências valiam para todos. Segundo as memórias de Sabaneiev, só três cores eram claras para ele — vermelho, amarelo e azul, para Dó, Ré e Fá♯ —, e as outras ele deduziu pelo ciclo de quintas.

Um detalhe muda a leitura da tabela: as cores eram de tonalidades, não de notas isoladas. Aqui cada cor vai para a nota que dá nome à tonalidade — adaptação nossa, para caber num jogo de uma nota por vez.

ScriabinRimsky-Korsakov
Dóvermelhobranco
Dó♯/Ré♭violetaescuro, quente (sem matiz indicado)
Réamareloamarelado, cor da luz do dia
Ré♯/Mi♭cor de aço, com brilho metálicoescuro, sombrio, cinza-azulado
Miazul-esbranquiçadoazul-safira, brilhante
Fávermelho-escuroverde claro, cor de folhagem
Fá♯/Sol♭azul, vivoverde-acinzentado
Sollaranja-rosadodourado-amarronzado, claro
Sol♯/Lá♭violeta-arroxeadovioleta-acinzentado
Láverderosa, claro
Lá♯/Si♭como Mi♭: aço, com brilho metálicoescuro (sem matiz indicado)
Sicomo Mi: azul-esbranquiçadoazul-escuro sombrio, com brilho de aço

Scriabin: tabela publicada por Sabaneiev em 1911; Rimsky-Korsakov: publicada por Iastrebtsev em 1908 — ambas na tradução de Galeyev e Vanechkina (2001). Há variantes, e as cores eram de tonalidades.

O que se sabe sobre ver cores ao ouvir

Na sinestesia som→cor, ouvir um som evoca uma cor sem que a pessoa escolha, e para a mesma pessoa a associação se mantém estável: repetir o teste meses depois e obter as mesmas cores é o critério que os pesquisadores usam para separá-la de uma associação comum (Simner e colegas, 2006). O que não se mantém é a tabela de uma pessoa para outra.

Ward, Huckstep e Tsakanikos (2006) pediram a sinestésicos e a não sinestésicos que escolhessem cores para sons de alturas e timbres variados, notas e intervalos. Os sinestésicos foram mais precisos e mais consistentes, mas os dois grupos seguiram tendências em comum, como dar cores mais claras a sons mais agudos.

Quanto à frequência, depende de como se mede. Com teste de consistência, Simner e colegas encontraram sinestesia de algum tipo em 22 de 500 universitários (4,4%); estimativas anteriores iam de 1 em 4 a 1 em 100 mil. Para a sinestesia som→cor isolada, esta página não cita número.

O que este experimento é, e o que não é

É uma comparação dentro de uma sessão: doze respostas em pastilhas coloridas, doze nas mesmas pastilhas em cinza, e os dois números lado a lado. Não é teste de sinestesia, nem de ouvido absoluto — para ver onde o seu ouvido está hoje existe o teste de ouvido absoluto. E não mostra que a cor ajuda a aprender notas: uma sessão é pouco, e as notas são sorteadas com repetição, então no chute a média já é de 1 acerto em 12.

FAQ

Isso ensina ouvido absoluto?

Não sabemos, e a página não afirma isso. Ela compara, numa sessão, quantas você acertou com cor e sem cor. Para treinar a nota pelo som, o Ouvido Clássico começa com duas notas e acrescenta uma por nível.

Qual mapa é o certo?

Nenhum. Scriabin e Rimsky-Korsakov discordam em boa parte das tonalidades, e pessoas com sinestesia som→cor também divergem entre si, embora com algumas tendências em comum. Aqui o que conta é você lembrar do seu.

Eu vejo cores quando ouço música. Isso é sinestesia?

Pode ser. Uma página não confirma isso: pesquisadores repetem o teste com meses de intervalo. Se as suas cores não batem com nenhuma tabela, é o esperado — elas são suas. Monte uma aproximação em “Meu mapa” (são 16 cores; as suas provavelmente são mais finas) e compare.

Scriabin era sinestésico?

É discutido. Galeyev e Vanechkina (2001), a partir do que o amigo e biógrafo Sabaneiev registrou, concluem que as analogias dele eram associativas e em boa parte construídas por raciocínio.

Para que serve a fase sem cor?

É a comparação. Sem ela, um bom resultado com cor não diz nada sobre a cor. Como ela vem sempre em segundo lugar, você já ouviu as notas mais vezes quando chega lá — leve isso em conta.

Fontes